Música

•Novembro 7, 2007 • 1 Comentário

    Algumas pessoas me perguntam, mesmo colecionando centenas de mp3, por que ainda compro cds. Não vou ser hipócrita. Já varei noites acordado esperando músicas chegarem em pastas divididas por temas musicais no meu computador. Hoje, muitas se alojam no meu ipod e outras padecem no back up. Mesmo assim, não é difícil me encontrar em megastores como a Fnac, dedilhando os corredores de dominó formados pelas caixinhas de cds. Pode ser que daqui a um tempo elas nem existam mais, mas de qualquer maneira, possuo um contato peculiar, quase sentimental com a música tangível. São cores e fotos produzidas para compor uma harmonia gráfica com o que propõe ser apenas sonoro quando chega nos ouvidos daqueles que escutam.

    Já me peguei perguntando se algum artista dormia como eu quando criança. Eu apenas conseguia pegar no sono se fosse abraçado a um disco de vinil. E quebrava um por noite. Meus pais precisavam comprar discos semanalmente, não importava o estilo musical, mas eu não pregava os olhos se não tivesse uma grande bolacha preta entre meus pequenos braços deixando o Peposo morto de ciúme. Acho que é por isso que um dia meu Peposo sumiu e até hoje não sei quem deu o fim nele. Ele deve ter partido durante a madrugada enquanto algum cantor cafona era partido ao meio.

    Toda a minha personalidade foi moldada através da música. E olha quem eu nem vivo dela. Nem sequer trabalho com isso. De qualquer maneira, sou movido pelos sons. A música comanda meus sentimentos. É o Lá que diz que é pra lá que eu devo ir e é o Dó que diz quando devo sentir dó. Baliza, nunca! Só estaciono de Ré. Desde que tirei carta. Personalidade musical? Não é apenas dizer “escuto de tudo”, até mesmo porque não escuto de tudo. Mas é poder pesquisar, descobrir novas melodias e se deixar levar.

   Para quem diz não entender de música, mãos à obra, aprenda com um amigo ou passe duas horas numa grande loja, pois na era digital, ninguém pode usar mais a desculpa de que tem medo de agulha.